Gentem, depois de muitos anos por aqui, resolvi mudar de ares.
O nome do blog é o mesmo, só muda o endereço para http://experimentandome.blogspot.com
Encontro vcs por lá.
Um abraço apertado, pessoas!
Escrito por carlos às 13h31
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Vidamar
Diante do mar da vida, prostro-me e delicio-me com o som de suas ondas namorando a praia. A maré, que até pouco era baixa, subiu, subiu e quase me cobre nas ondas maiores. Imperceptível até antes de eu engolir um pouco da sua água salgada, perdido no meio de um turbilhão de águas que me arrastou até a praia. Mas agora, essa vida-mar que me jogava pra fora, passou a me puxar pelas pernas para dentro dela, igualmente imperceptível no início, de modo que quando percebi estava longe, no meio da vida, me afogando no mar, tanta vida me inundando os pulmões, tão salgada a vida, tão ávida de meu corpo, tão lenta minha alma desvanecendo e, no entanto, sinto-a plena, absoluta, como se fosse preciso naufragar, tocar as profundezas para senti-la assim. E de tanto sentir, na vida, enfim, me dissolvo, torno-me mar, e vou pelos séculos, brincar com as praias e pedras de maré e ressaca.
Escrito por carlos às 12h24
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Meu mundo
“Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo, prefiro acreditar no mundo do meu jeito” (Renato Russo, em Eu era um lobisomem juvenil.)
Hoje não quero conversar com ninguém.
Quero me deitar em algum bosque escondido no mundo das belezas intocadas e mergulhar o meu olhar nesse lugar de fantasia e sonho, para me esquecer que o mundo é feio e egoísta e que eu sou feio e egoísta também, às vezes.
Quero extrair com esse olhar as minúcias do mundo das pequenas coisas, como quem de repente descobre o mundo fora dos relógios, dos prazos, das obrigações sem sentido. Ver como é bonita a chuva caindo sobre as àrvores, como há poesia no jeito como as gotas escorrem pelas folhas e caem sobre a gente, sem se aborrecer por estar se molhando. Ver como a chuva pode ainda ser amiga, o sol, a árvore, os pássaros, todos amigos e companheiros nessa nossa estada passageira no mundo perecível da matéria.
Quero construir um mundo bonito e altruísta, que talvez você considere romântico, utópico - que importa? Este mundo real me asfixia, mal consigo manter-me vivo nele. Então preciso criar meu mundo, mesmo que ele exista só em mim, com minhas próprias cadeias de significado.
Escrito por carlos às 20h54
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Jornal das Pequenas Coisas
Você já deve ter ouvido muitas vezes falar que devemos valorizar as pequenas coisas do dia-a-dia. Pois eu conheci alguém (ou pelo menos o blog desse alguém) que levou isso muito a sério, a ponto de editar o Jornal das Pequenas Coisas. Já ouviu falar?? Não?? Então você não sabe o que está perdendo.
Dê uma conferida! O endereço é esse: http://ritaapoena.zip.net/jornal
Ah, as outras seções do blog também são uma maravilha.
Um abraço, pessoas!!!!
Escrito por carlos às 20h52
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RSS
Notícias de última hora: eu ativei (ou pelo menos tentei) o RSS do blog. Agora não me perguntem como é que se usa esse troço porque eu não sei.
Achei que seria útil avisar automaticamente quando publico algo aqui, já que a peridiocidade dos meus posts está quase competindo com o ciclo de alguns cometas, rs.
Notícia dada, vou me retirando.
Abraço, pessoas!
Escrito por carlos às 18h54
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Eu, uma borboleta!
Tentando compensar vocês pela minha total falta de assunto para escrever nesse blog, vou revelar-lhes uma coisa:
- Descobri que sou uma borboleta!
Calma gente, não se alarmem muito, eu não resolvi sair do armário, hehehe. Só fiz um teste de personalidade no site Terra e o resultado foi esse:
Sua nota é 13
Você é uma borboleta! A borboleta é o símbolo da delicadeza e da transformação. Você realmente é uma pessoa sensível, que enxerga a vida de forma diferente. Esta característica às vezes não é compreendida pelos outros, por isso, ao sair do casulo, você se sente um pouco alienígena. Mas as borboletas são espíritos viajantes que conseguem se adaptar bem em diversos lugares, fazendo muitas amizades. São incapazes de fazer mal a alguém. Só não abrem mão da sua liberdade.
Para quem quiser saber qual é o seu animal interior, o link para o teste é esse:
http://istoe.terra.com.br/planetadinamica/site/quizasp/animais/abre_animais.asp
Um abraço, pessoas e até o próximo post (que só Deus sabe quando vai ser!! rs)!
Escrito por carlos às 18h49
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coisas que eu preciso aprender (2)
Pra Quem Ainda Vier a me Amar Quero dizer que te amo só de amor. Sem idéias, palavras, pensamentos. Quero fazer que te amo só de amor. Com sentimentos, sentidos, emoções. Quero curtir que te amo só de amor. Olho no olho, cara a cara, corpo a corpo. Quero querer que te amo só de amor. São sombras as palavras no papel. Claro-escuros projetados pelo amor, dos delírios e dos mistérios do prazer. Apenas sombras as palavras no papel. Ser-não-ser refratados pelo amor no sexo e nos sonhos dos amantes. Fátuas sombras as palavras no papel. Meu amor te escrevo feito um poema de carne, sangue, nervos e sêmen. São versos que pulsam, gemem e fecundam. Meu poema se encanta feito o amor dos bichos livres às urgências dos cios e que jogam, brincam, cantam e dançam fazendo o amor como faço o poema. Quero a vida as claras superfícies onde terminam e começam meus amores. Eu te sinto na pele, e no coração. Quero do amor as tenras superfícies onde a vida é lírica porque telúrica, onde sou épico porque ébrio e lúbrico. Quero genitais todas as nossas superfícies. Não há limites para o prazer, meu grande amor, mas virá sempre antes, não depois da excitação. Meu grande amor, o infinito é um recomeço. Não há limites para se viver um grande amor. Mas só te amo porque me dás o gozo e não gozo mais porque eu te amo. Não há limites para o fim de um grande amor. Nossa nudez, juntos, não se completa nunca, mesmo quando se tornam quentes e congestionadas, úmidas e latejantes todas as mucosas. A nudez a dois não acontece nunca, porque nos vestimos um com o corpo do outro, para inventar deuses na solidão do nós. Por isso a nudez, no amor, não satisfaz nunca. Porque eu te amo, tu não precisas de mim. Porque tu me amas, eu não preciso de ti. No amor, jamais nos deixamos de completar. Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários. O amor é tanto, não quanto. Amar é enquanto, portanto. Ponto. Roberto Freire
Escrito por carlos às 15h05
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coisas que eu preciso aprender
De Cartas a um Jovem Poeta
Maio 14, 1904, Rome Amar também é bom: porque o amor é difícil. O amor de duas criaturas humanas talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta, a maior e última prova, a obra para a qual todas as outras são apenas uma preparação. Por isso, pessoas jovens que ainda são estreantes em tudo, não sabem amar: tem que aprendê-lo. Com todo o seu ser, com todas as suas forças concentradas em seu coração solitário, medroso e palpitante, devem aprender a amar. Mas a aprendizagem é sempre uma longa clausura. Assim, para quem ama, o amor, por muito tempo e pela vida afora, é solidão, isolamento cada vez mais intenso e profundo. O amor, antes de tudo, não é o que se chama entregar-se, confundir-se, unir-se a outra pessoa. Que sentido teria, com efeito, a união com algo não esclarecido, inacabado, dependente? O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo em si mesmo, tornar-se um mundo para si, por causa de um outro ser; é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha e um chamado para longe. Do amor que lhes é dado, os jovens deveriam servir-se unicamente como de um convite para trabalhar em si mesmos. A fusão com outro, a entrega de si, toda a espécie de comunhão não são para eles; são algo de acabado para o qual, talvez, mal chegue atualmente a vida humana. Creio que aquele amor persiste tão forte e poderoso em sua memória justamente por ter sido sua primeira solidão profunda e o primeiro trabalho interior com que moldou a sua vida.
Rainer Maria Rilke
Escrito por carlos às 15h03
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Impossível
Biquini Cavadão
Tudo bem Quando termina bem Os seus olhos E os seus olhos Não estão rasos d'água Mas eu sei que no coração Ficaram muitas palavras Um vocabulário inteiro De ilusão...
Tudo que viceja Também pode agonizar E perder seu brilho Em poucas semanas E não podemos evitar Que a vida trabalhe Com o seu relógio invisível Tirando o tempo de tudo Que é perecível...
Oh, oh, oh! É impossível, é impossível Esquecer você É impossível Esquecer o que vivi É impossível Esquecer, o que senti...
Tudo que morre Fica vivo na lembrança Como é difícil viver Carregando um cemitério na cabeça Mas antes que eu me esqueça Antes que tudo se acabe Eu preciso Eu preciso, dizer a verdade...
É impossível, é impossível Esquecer você É impossível Esquecer o que vivi É impossível Esquecer, o que senti... É impossível...
***
Sem mais palavras...
Escrito por carlos às 12h12
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Saímos abraçados na madrugada, como se já não fosse possível viver um sem o calor do outro, como se todas as coisas se resumissem no fundo de teus olhos quando eu os miro assim tão perto dos meus.
Havia a chuva caindo nos telhados e o vento chacoalhava a cidade, mas nada era impossível para nós: a minha força se resumia em estar junto de ti, como se duas fragilidades unidas pelos laços do sonho pudessem enfrentar mesmo as garras certeiras da guerra.
Mas no fundo, nosso amor era como uma casa construída ao pé da montanha, fadada a ser arrasada por uma avalanche a qualquer momento.
Dias depois, amanheceu. Olhei nos teus olhos e já não havia nada, nem teus braços me aqueciam como antes. A chuva levou os telhados, algumas vidas e o meu amor por ti.
No fim das contas, duas fragilidades, mesmo unidas, são tão poderosas quanto os dois espinhos de uma rosa.
Escrito por carlos às 15h32
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Eis que digo ao poeta:
É deveras dor, a dor que sinto!
Onde dói não sei,
Nunca soube,
Talvez nunca chegue a saber
Mas é dor, poeta, e não finjo!
Quando, enfim, eu aprender a fingir
Este poema,
Este que sempre esteve aqui na garganta,
Como uma ânsia de vômito que não se realiza,
Como um espirro que morre no interior das narinas,
Este poema virá a ser.
Porque a verdade, poeta,
É crua demais para caber num poema.
Escrito por carlos às 14h01
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Este poema é uma ejaculação precoce
Um aborto,
A morte da semente no seio da terra,
O óvulo expelido na menstruação;
Este poema vive de não ser;
É a paz mundial
A dignidade do miserável
A música não terminada
A vida de todas as pedras
Este poema não nasceu
Nem é um poema
Nem há palavras no dicionário para ele
É um grito mudo
A visão aterradora do cego
O corte indolor na carne
O excesso de sangue de uma vida anêmica
A união da vida com a morte
A mistura homogênea de água e fogo
A dor no membro que nunca existiu
A existência da morte antes da vida
A cópia antes do original
É tudo que não merece crédito ou atenção
E é por isso que nunca foi escrito.
Escrito por carlos às 13h25
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Não há mais tardes sangrentas nos teus olhos trepidantes
Não há mais tédios dissimulados em nossos prédios mal acabados
Tudo se foi, cambaleando no mormaço dos meio-dias escaldantes
Tudo se derreteu e se acabou, como um pacote esparramado na sede
Agora nos resta seguir enclausurados em nossos sorrisos sinceros,
em nossos abraços repletos de ternura fraterna;
Agora nos resta festejar todos os dias a nossa falta de ideais por que lutar.
- Não há nada mais castrante que um objetivo alcançado.
Escrito por carlos às 09h59
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Feliz Ano Novo!!!!
Último dia do ano e eu aqui pensando com os meus botões no que se faz em um último-dia-do-ano. Correr, pular, gritar, girar, cantar, jogar tudo para o ar...? Não sei não, mas acredito que mesmo para os mais céticos é difícil não se deixar envolver por essa sensação de que alguma coisa fica para trás e de que algo novo, uma nova etapa, uma nova chance vem por aí. De quê? É possível que a grande maioria não saiba o que realmente espera do ano que nascerá após às 23 horas 59 minutos e 59 segundos do dia 31 de dezembro de 2007. Só mais uma noite de farra, de pegar as meninas, de cair na gandaia, de fazer carnaval? Com certeza isso está na cabeça de um grande número de pessoas. Mas não se pode negar, é como se nascesse no espírito coletivo uma esperança de um amanhã melhor para todos, não há dúvidas que os ânimos estão mais propícios à reconciliação, à confraternização, todo mundo abraçando todo mundo no meio da rua depois das 00:00hs.
Por mais que as pessoas não gostem, mesmo inconscientemente fazem uma avaliação do ano que termina e projetos para o ano que se inicia. Até eu - que não sou de fazer projetos e, mesmo quando os faço não cumpro ou não termino – estou aqui fazendo os meus. Já não são aqueles sonhos de anos atrás, de acreditar em ver paz universal acontecer durante esta vida – essa utopia ainda sobrevive em mim mais como força impulsionadora do que como uma crença pueril. São propósitos mais simples que visam mais trabalhar o meu interior do que bens e conquistas materiais. Quero dar mais passos em direção ao conhecimento do Deus que eu decidi seguir, conhecendo mais a sua palavra e principalmente partindo para a ação na comunidade cristã à qual Ele por seus caminhos sinuosos me fez chegar. Do conhecimento de Deus e do seguimento da Sua Santa Palavra vem os maiores bens que procuro na vida: amor, perdão, comunhão com Ele e com o próximo, paz – a paz inquieta dos que esperam em Deus, mas não cessam de orar e se deixar ser instrumento Dele aqui na terra através do trabalho missionário, profético e de defesa dos fracos e oprimidos. Aproximar-me mais de Deus: este o meu propósito para este ano.
E você, o que esta atmosfera das festas de fim de ano fez brotar no seu coração?
Um grande abraço a todos e um Feliz Ano Novo!!!
Escrito por carlos às 14h00
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Folha em branco
Nestas páginas mortas
mato o instante que passa,
como se arranca uma folha bonita
para colá-la no caderno.
Estas palavras são minhas agora
e eu as colo no meu caderno.
Talvez elas sequem como as folhas
e depois de algum tempo,
quando forem lidas,
sejam quase piores que folhas em branco...
Que importa!
Quero as folhas em branco,
as folhas mortas,
as palavras vazias.
Quero-as agora, apenas,
mesmo sem saber pra quê ou até quando,
mesmo sem poesia, sem sonho,
mesmo no anonimato.
Quero-as como se quer abrir os olhos no dia seguinte,
como se quer a cama no fim do dia.
Escolho-as como quem desce a ladeira
ou pega um atalho para chegar a lugar nenhum
- as palavras são caminhos de se perder.
Eu, que nunca soube onde estou,
as tenho como guias nesta hora em que,
entre folhas mortas e folhas que morrem,
transito no veículo verbal
sem nada a oferecer
nem nada a pedir
- esvazio-me.
Para me tornar, quem sabe,
uma folha em branco,
uma morta folha em branco
esperando que a vida lhe dê utilidade.
Uma folha em branco...
Escrito por carlos às 19h11
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