Eis que digo ao poeta:
É deveras dor, a dor que sinto!
Onde dói não sei,
Nunca soube,
Talvez nunca chegue a saber
Mas é dor, poeta, e não finjo!
Quando, enfim, eu aprender a fingir
Este poema,
Este que sempre esteve aqui na garganta,
Como uma ânsia de vômito que não se realiza,
Como um espirro que morre no interior das narinas,
Este poema virá a ser.
Porque a verdade, poeta,
É crua demais para caber num poema.
Escrito por carlos às 14h01
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Este poema é uma ejaculação precoce
Um aborto,
A morte da semente no seio da terra,
O óvulo expelido na menstruação;
Este poema vive de não ser;
É a paz mundial
A dignidade do miserável
A música não terminada
A vida de todas as pedras
Este poema não nasceu
Nem é um poema
Nem há palavras no dicionário para ele
É um grito mudo
A visão aterradora do cego
O corte indolor na carne
O excesso de sangue de uma vida anêmica
A união da vida com a morte
A mistura homogênea de água e fogo
A dor no membro que nunca existiu
A existência da morte antes da vida
A cópia antes do original
É tudo que não merece crédito ou atenção
E é por isso que nunca foi escrito.
Escrito por carlos às 13h25
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Não há mais tardes sangrentas nos teus olhos trepidantes
Não há mais tédios dissimulados em nossos prédios mal acabados
Tudo se foi, cambaleando no mormaço dos meio-dias escaldantes
Tudo se derreteu e se acabou, como um pacote esparramado na sede
Agora nos resta seguir enclausurados em nossos sorrisos sinceros,
em nossos abraços repletos de ternura fraterna;
Agora nos resta festejar todos os dias a nossa falta de ideais por que lutar.
- Não há nada mais castrante que um objetivo alcançado.
Escrito por carlos às 09h59
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