Meu Perfil
BRASIL, Norte, MANAUS, MONTE DAS OLIVEIRAS, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, Música, Livros



Histórico


    Categorias
    Todas as mensagens
     poemas
     Cartas de Amor


    Votação
     Dê uma nota para meu blog


    Outros sites
     Para ser grande, sê inteiro - Klenicy
     Mi Casa, Su Casa - Bia
     Blog da Bia
     A toca do mocho velho, por José
     Maga Patalógica - por Renata Leite
     Blog do Alex
     Gavetas e Janelas
     Inquietacoes
     Mentiras Históricas - por Cláudia
     Sensível Desafio
     Stalingrado 2 - rafael
     Olhos de ver a vida
     Aprender a Cidadania
     Na Cafeteria
     Zeca Camargo
     O Poço e a Mola
     Prestenção!
     Rumor de Anjos - Blog da Laysa
     Stalingrado III
     Blog da Neila
     Jornal das pequenas coisas
     Blog da Line
     Blog da Maylaa


     
    Experimentando-me


    coisas que eu preciso aprender (2)

    Pra Quem Ainda Vier a me Amar

    Quero dizer que te amo só de amor.
    Sem idéias, palavras, pensamentos.
    Quero fazer que te amo só de amor.
    Com sentimentos, sentidos, emoções.
    Quero curtir que te amo só de amor.
    Olho no olho, cara a cara, corpo a corpo.
    Quero querer que te amo só de amor.
    São sombras as palavras no papel.
    Claro-escuros projetados pelo amor, dos delírios e dos mistérios do prazer.
    Apenas sombras as palavras no papel.
    Ser-não-ser refratados pelo amor no sexo e nos sonhos dos amantes.
    Fátuas sombras as palavras no papel.
    Meu amor te escrevo feito um poema de carne, sangue, nervos e sêmen.
    São versos que pulsam, gemem e fecundam.
    Meu poema se encanta feito o amor dos bichos livres às urgências dos cios e que jogam, brincam, cantam e dançam fazendo o amor como faço o poema.
    Quero a vida as claras superfícies onde terminam e começam meus
    amores.
    Eu te sinto na pele, e no coração.
    Quero do amor as tenras superfícies onde a vida é lírica porque telúrica, onde sou épico porque ébrio e lúbrico.
    Quero genitais todas as nossas superfícies.
    Não há limites para o prazer, meu grande amor, mas virá sempre
    antes, não depois da excitação.
    Meu grande amor, o infinito é um recomeço.
    Não há limites para se viver um grande amor.
    Mas só te amo porque me dás o gozo e não gozo mais porque eu te amo. Não há limites para o fim de um grande amor.
    Nossa nudez, juntos, não se completa nunca, mesmo quando se tornam
    quentes e congestionadas, úmidas e latejantes todas as mucosas.
    A nudez a dois não acontece nunca, porque nos vestimos um com o corpo do outro, para inventar deuses na solidão do nós.
    Por isso a nudez, no amor, não satisfaz nunca.
    Porque eu te amo, tu não precisas de mim.
    Porque tu me amas, eu não preciso de ti.
    No amor, jamais nos deixamos de completar.
    Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários.
    O amor é tanto, não quanto.
    Amar é enquanto, portanto. Ponto.

    Roberto Freire



    Escrito por carlos às 15h05
    [] [envie esta mensagem] [ ]



    coisas que eu preciso aprender

    De Cartas a um Jovem Poeta

     

    Maio 14, 1904, Rome
    Amar também é bom:
    porque o amor é difícil.
    O amor de duas criaturas humanas
    talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta,
    a maior e última prova,
    a obra para a qual todas as outras são apenas uma preparação.
    Por isso, pessoas jovens que ainda são estreantes em tudo,
    não sabem amar: tem que aprendê-lo.
    Com todo o seu ser,
    com todas as suas forças concentradas em seu coração solitário,
    medroso e palpitante,
    devem aprender a amar.
    Mas a aprendizagem é sempre uma longa clausura.
    Assim, para quem ama,
    o amor,
    por muito tempo e pela vida afora,
    é solidão,
    isolamento cada vez mais intenso e profundo.
    O amor, antes de tudo,
    não é o que se chama entregar-se,
    confundir-se, unir-se a outra pessoa.
    Que sentido teria, com efeito,
    a união com algo não esclarecido,
    inacabado, dependente?
    O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer,
    tornar-se algo em si mesmo,
    tornar-se um mundo para si,
    por causa de um outro ser;
    é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz,
    uma escolha e um chamado para longe.
    Do amor que lhes é dado,
    os jovens deveriam servir-se unicamente como de um convite para trabalhar em si mesmos.
    A fusão com outro, a entrega de si,
    toda a espécie de comunhão não são para eles;
    são algo de acabado para o qual,
    talvez, mal chegue atualmente a vida humana.
    Creio que aquele amor persiste tão forte e poderoso
    em sua memória justamente por ter sido sua primeira solidão
    profunda e o primeiro trabalho interior com que moldou a sua vida.

     

    Rainer Maria Rilke



    Escrito por carlos às 15h03
    [] [envie esta mensagem] [ ]




    [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]